quarta-feira, 30 de julho de 2014

Intercâmbio Brasil – Argentina


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Monumento ao Cooperativismo em Nova Petrópolis, Rio Grande do Sul, Brasil
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Monumento ao Cooperativismo em Sunchales, Santa Fé, Argentina

Chegando a Sunchales, a o impacto é muito grande. A Cidade não é limpinha. O clima parece seco, há pó e lixos pelo chão. As plantas parecem frágeis. Diferente daqui, no Brasil, Rio Grande do Sul. As pessoas de lá, no geral, parecem não estar tão educadas quanto ao destino correto dos resíduos.
Fomos em uma turma de 56 pessoas: professores, alunos e acompanhantes. Lá fomos divididos em dois grupos. O grupo A foi acompanhado pelo professor Everaldo e o grupo B pela Bianca. Cada grupo também contava com um nativo. No nosso grupo, o B, foi a Julieta quem nos guiou.
A primeira cooperativa escolar que visitamos, dia 29 de julho, terça-feira, foi a SOMOS, na Escola Especial Nº 1281, nas instalações da Rupay. Os alunos da escola, portadores de necessidades educativas especiais, plantam e colhem. Preparam saladas (verduras), saladas de frutas e doces, que vendem para um supermercado. Também nos apresentaram um recipiente feito com embalagens tetra pak, ultrarresistente. Os profissionais que lá trabalham comentaram que o que ganham com as vendas nos produtos conseguem manter o local que abriga os alunos, a Cooperativa.

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A segunda Cooperativa visitada pelo grupo B foi a Cre.A, na Escola Especial Nº 2054 “Alas para la vida”. Os alunos, também portadores de necessidades especiais, fazem botons, chaveiros, serigrafia em camisetas... Os alunos também fazem o seu próprio lanche: alfajores, biscoitos, doces, compotas... No intervalo eles estavam brincando com um notebook que ganharam do governo argentino. Cada aluno tem o seu, usado para brincadeiras e atividades escolares. Em cada sala tem um Accses Point. As professoras relatam que preparam as crianças para terem um trabalho no futuro, um emprego. Nesta instituição são atendidos jovens de 14 a 22 anos. “Todos somos uma escola especial”. O prédio da instituição foi doado pelo italiano Bruno “Mascata”, que mandava verbas para a construção e esteve presente em alguns momentos na Instituição, como na inauguração.
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Alunos e professores da Escola / Cooperativa
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Produtos
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Marcenaria, bem organizada
A terceira Cooperativa escolar que visitamos foi a “Experiencia Joven”, na ICES, Nível Secundário. Trata-se de uma escola privada, pertencente à Sancor Seguros. Os alunos têm aulas na modalidade de Economia e Gestão Organizacional (se bem entendi). Na Cooperativa fazem desenhos gráficos: ímãs de geladeira, agenda, calendários, jogos americanos... Também fazem projetos solidários, teatro de fantoches, para crianças carentes. A Cooperativa conta com 130 alunos, igual ao número de alunos da instituição, contando, ainda, com o Conselho de Assessores, composto pelos professores. No 3º ano desta instituição o trabalho final dos alunos é desenhar a agenda a ser usada no ano seguinte. As vendas dos produtos ocorrem internamente e nos encontros das Cooperativas. A cada ano inovam, usando uma nova técnica. Fazem os trabalhos da Cooperativa nos horários livres, nunca em horário de aula. Os alunos, associados, trabalham sozinhos, sem auxílio dos pais nem dos professores. 1% dos alunos depois que saem da escola, da Cooperativa, continuam no ramo.
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Alunos recebendo os mimos.
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Produtos da Coopertaiva

À tarde fomos visitar a Cooperativa de Água Potável, Cooperativa de Provisión Del Agua Potable y Otros Serviços Públicos Sunchales, que conta com nove mil associados, atendendo à população de Sunchales, 23 mil pessoas. Todos os habitantes têm água potável. Cada novo morador de Sunchales é um novo associado da Cooperativa. Trata-se de um serviço não rentável. Também vendem água potável engarrafada. Toda água é capturada do subsolo, por isso é salobra. Há perfurações de 140 metros de profundidade. Esta Cooperativa foi fundada em 1957, e trabalha atendendo os moradores de Sunchales desde 1985. Todos cuidam da água, para não desperdiçá-la, pois quanto mais gastam, mais pagam, como é aqui. Cada 12m³ de água são 150 pesos, sendo 27% pago em impostos. Além de distribuição de água potável para a população, a Cooperativa também faz serviços de consertos das tubulações de gás.
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Porta de entrada da Cooperativa
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Presidentes da Cooperativa de Água Potável
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Maquete da perfuração de onde extraem a água.

A 5ª cooperativa visitada foi a Cooper-Ar, na Escola Nº 445 - Carlos Steigleder. Nesta, a Cooperativa existe há 22 anos, e o Cooperativismo é um tema transversal. Trabalham com Produção, Consumo e Serviços. Produzem sabonetes, como Consumo, trabalham na cantina, vendendo lanches aos alunos, e como Serviços, vendem os produtos que fazem. Não podem vender no comércio porque para isso precisam de nota fiscal, e as Cooperativas não têm registro. Os alunos do 3º ano são encarregados pela limpeza da escola no final do ano, para ficar boa para o ano seguinte. Os associados também visitam outras escolas, como aquelas frequentadas por alunos com Necessidades Educativas Especiais, para ajudá-los. Participam dos encontros de Cooperativas, Maratona por um Mundo Melhor. Com o lucro, “ganancia”, ajudam a escola. Há mais de 100 associados, e a escola conta com 700 alunos.
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Nossa recepção (fiquei emocionada ao ler)
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Imagens da escola
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Produtos da Cooperativa
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Alunos fazendo sabonete líquido
Na noite do dia 29 de julho tivemos palestra com Raul e Carlos, na Casa Cooperativa. Nesta nos explicaram que a cidade de Sunchales tinha, em 1914, 2400 habitantes; em 1938, 3600; em 1967, 10000; em 2005, 20000; em 2009, 22000, e no último senso, em 2012, 26000 habitantes. Em 1898 foi fundada a primeira Cooperativa Argentina. Em 1918, a 1ª Cooperativa de Leite “Piá”. Em 1938, SanCor, com 16 Cooperativas leiteiras. Em 1945 foi fundada a SanCor Seguros. E em 1957, fundada a Cooperativa de Água.
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Juan B.V. Mitri, italiano, foi o primeiro cooperativista da Argentina. É ofertada, pela Câmara de Vereadores local, anualmente, a medalha Mitri para os alunos que se destacam.
As Cooperativas seguem o modelo mutualista, vindo da Itália e da Alemanha.
Nesta ocasião os alunos foram questionados sobre os sete princípios das Cooperativas, sendo destacado o sexto princípio, que é a cooperação entre as Cooperativas, exatamente o que estamos fazendo agora: buscando informações e exemplos de outras Cooperativas para levar à Cooperativa de origem.
Há uma discussão acerca da inauguração do monumento de Nova Petrópolis, no Rio Grande do Sul, Brasil, e do monumento de Sunchales, Santa Fé, na Argentina, o que as tornam cidades irmãs. O monumento de Nova Petrópolis foi inaugurado no dia 28 de dezembro de 2002, quando se comemorava os 100 anos do Sicredi. O monumento de Sunchales foi inaugurado um dia antes, 27 de dezembro de 2002, quando a cidade foi visitada pelos Doutores Ivano Barbieri e Carlos C. Palatino, ambos italianos. Isso não deixa margem à dúvida de qual dos monumentos foi inaugurado antes.
Foi falado, também, durante a palestra, que Sunchales recebe muitas visitas internacionais, principalmente de italianos, que há reciprocidade. Deram-nos mais informações acerca das siglas e das universidades italianas que trabalham com o sistema de cooperativas.
Na quarta-feira do dia 30 de julho de 2014, pela manhã, fomos visitar o Colégio Nº 8107 – San José, onde há a Cooperativa Sunchalita. Esta foi fundada em 2006. Desde 2008 está cadastrada na Federação de Cooperativas de Sunchales. Nesta escola estudam alunos da Educação Infantil ao Nível Superior. Esta Cooperativa surgiu devido à necessidade de ser adotado um uniforme para os alunos. A Escola conta com 415 alunos, sendo 400 associados. Os alunos, sócios da Cooperativa, vendem lanche, estão pintando a escola, fazendo arte nas paredes, vendem o uniforme escolar, e quem é sócio ganha desconto. Também criam a agenda anual, fazem brechó com os livros usados, têm diário Mural, Orientação Vocacional, ajudam crianças com menos recursos, em campanhas solidárias.
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Banner com os princípios da Cooperativa
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Apresentação
À tarde fomos visitar a Cooperativa de leite SanCor, que existe há 76 anos. San Cor é a junção dos nomes das províncias Santa Fé e Cordoba. Esta Cooperativa fabrica mais de 150 produtos, em diferentes lugares, entre eles o leite em pó, o doce de leite, delicioso, o requeijão, sem igual no Brasil... No Rio Grande do Sul não temos os produtos deles, mas nos disseram que o Paraná, estado próximo daqui, já está exportando. O primeiro produto fabricado pela Cooperativa foi a manteiga. Hoje conta com mais de 4 mil empregado, distribuídos nos 40 hectares da Cooperativa. Antigamente as máquinas eram movidas à lenha, carvão, por isso no prédio antigo (o único que nos deixaram fotografar) há uma chaminé bem alta, para não contaminar os alimentos. Atualmente a caldeira é a vapor.
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Prédio antigo
A cooperativa SanCor processa 1 milhão de litros de leite por dia, transformando-o em leite em pó. A primeira caldeira tinha capacidade para apenas 300 mil litros. A parte da Cooperativa que fabrica leite em pó conta com 7 funcionários, pois é tudo automatizado, informatizado. A empresa funciona sempre, sem folga, processando até 2 milhões de litros de leite por dia. Possui gerador próprio de energia. A parte do leite em pó funciona independente do restante da Cooperativa. Cada setor tem sua própria equipe de limpeza, que é bem caprichada, pois para exportar alimentos a Cooperativa passa por inspeções internacionais.
Um milhão de litros de leite é necessário para fabricar 100 mil quilos de leite em pó. Um quilo de leite em pó é igual a 4 litros de leite. Isso também consome 2 milhões de litros de água por dia. Todos os dias a Cooperativa manda 12 containers para o exterior. Para o Brasil, exportam sacos de 25 quilos de leite em pó. Essas foram as informações que nos passaram durante o nos tour pela Cooperativa. Disseram, ainda que há 1400 produtores de leite, que fornecem a matéria prima para a Cooperativa. Depois de recebido, o leite é bombeado para os diversos setores. Nunca param de receber leite.
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Entrada da Cooperativa de Leite
Na saída desta cooperativa, cada visitante (nós) recebeu uma sacolinha com doce de leite, queijo ralado, queijo processado e leite em pó.
Na tarde do dia 30 de julho fomos visitar a escola Nº 279 – Tte. B. Matienzo, onde funciona a cooperativa escolar C.E.P.A. Esta escola, pelo que entendi, é como o Liberato daqui, uma escola técnica onde os alunos têm aulas de mecânica, eletrônica e química. Nesta Cooperativa os sócios produzem artigos artesanais. Fazem pomada para queimaduras (com maisena, vaselina e óxido de zinco), aromatizantes para roupas e ambientes. Usam, para isso, uma casa próxima, pois não há espaço na própria escola, para venda de produtos. Reutilizam garrafas pet para acondicionar os produtos. Também fazem programas para crianças com necessidades, que vivem no norte da Argentina.





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Valores da Cooperativa
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Produtos à venda da Cooperativa
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Confecção de chaveiro em madeira. Cada um de nós ganhou um com a letra inicial do nome.
Na marcenaria o professor dá a tarefa e s alunos investigam como devem fazer o que foi pedido, para então fabricá-lo. Eles trazem a ideia, o material, fazem e levam consigo. Se não têm o material, a escola dá, mas o produto final fica na cooperativa, para ser vendido. Os alunos já saem com um ofício, independentes.
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Marcenaria
Na eletromecânica aprendem instalações elétricas, para que as façam em sua casa. Os alunos do 3º ano devem apresentar um projeto ao final do curso.
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Eletrônica

Na tarde do dia 30 de julho fomos visitar a Sancor Seguros, fundada em 1945. É uma empresa, ou Cooperativa, autossustentável. Coletam água da chuva para refrescar o ambiente, possuem cortinas que refletem a luz, aquecedor solar para água. Os assegurados são os sócios da Cooperativa. Os funcionários têm 30 minutos por dia, dentro da própria Sancor, para almoçar.
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Imagens na Sancor Seguros
Depois de um tour pela Sancor Seguros, que tem um lindo prédio, jardim... Fomos até o Parque Temáticos de Segurança no Trânsito. É um local onde dão cursos de educação no trânsito para crianças e famílias. Possuem uma mini-cidade com vias e sinalizações para simulações de trânsito, com bicicleta. Apesar de estarmos bem cansados, nos divertimos muito neste local. Ganhamos uma caneta, um botton e um boné.
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Na quinta-feira, dia 31 de julho, voltamos à Casa Cooperativa de Provisión Sunchales Ltda. Anotei muitas informações, ditas por Javier, mas não sei como organizá-las. Lá funciona a escola de nível médio, já relatada anteriormente, que atende o nível médio, desde 1993, do 1º ao 5º ano, com jovens de 13 a 15 anos de idade. Há promoção do Cooperativismo Escolar.
Em Sunchales há 17 cooperativas Escolares, de nível primário, secundário, especial e rural.
Na cidade há 70 Cooperativas, projeto destacado Nacional e Internacionalmente.
Em março de 2009 iniciou o programa. Os Conselheiros da Casa Cooperativa visitam as Cooperativas escolares. Fazem intercâmbios com o Brasil, Paraná e Rio Grande do Sul; Espanha, Andaluzia; Itália, Região Romagna. Uma Cooperativa precisa funcionar como equipe, profissional... precisa ter estrutura para cumprir os objetivos de trabalho, que é um grande desafio. Fazem pesquisa, investigação. A FECOP trabalha principalmente temas ambientais.
O prefeito de Sunchales, para finalizar o nosso estudo, tomou a palavra e foi muito feliz em sua fala. Mesmo em espanhol, conseguimos compreender muita coisa. Ele falou sobre a história da pedra: que uma pessoa não conseguiria levantar uma pedra sozinha, mas em equipe, sim. Os problemas se resolvem em conjunto. Vivemos juntos. Quando compreendemos o valor de trabalhar juntos, percebemos que cooperar é o modo mais fácil de conseguir melhor qualidade de vida. O Mercosul e outros países podem ajudar a resolver problemas. Sozinhos não chegamos a nenhum lugar.
70% do PIB de Sunchales é pelo Cooperativismo, proporcionando, assim, qualidade de vida para todos. Em empresas privadas a qualidade de vida é para uma pessoa, enquanto na Cooperativa todos saem beneficiados. Em uma crise, numa empresa cooperativa, é difícil ter demissão, diferentemente de uma empresa privada. Cooperativismo se aprende fazendo.
3% dos impostos da Sancor vai para Cooperativas escolares, cerca de 3 mil pesos por ano.
Em seguida, os Conselheiros da Fecope – Federação das Cooperativas escolares, fizeram a apresentação de cada uma das 17 Cooperativas Escolares, cuja fotografia do slide está abaixo.
Na Cooperativa da escola Rural, que não fomos visitar (apenas o grupo A), vendem materiais escolares, pois as livrarias ficam muito longe, e fazem produtos com lavanda. O principal objetivo desta é fazer campanhas a favor da comunidade. Achei essa ideia muito pertinente para levar à escola Padre Reus. Devem ser muito parecidas.

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Lá também tem lavanda!
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E Praça Nova Petrópolis