
Monumento
ao Cooperativismo em Nova Petrópolis, Rio Grande do Sul, Brasil

Monumento
ao Cooperativismo em Sunchales, Santa Fé, Argentina
Fomos em uma turma de 56 pessoas:
professores, alunos e acompanhantes. Lá fomos divididos em dois grupos. O grupo
A foi acompanhado pelo professor Everaldo e o grupo B pela Bianca. Cada grupo
também contava com um nativo. No nosso grupo, o B, foi a Julieta quem nos
guiou.
A primeira cooperativa escolar
que visitamos, dia 29 de julho, terça-feira, foi a SOMOS, na Escola Especial Nº
1281, nas instalações da Rupay. Os alunos da escola, portadores de necessidades
educativas especiais, plantam e colhem. Preparam saladas (verduras), saladas de
frutas e doces, que vendem para um supermercado. Também nos apresentaram um
recipiente feito com embalagens tetra pak, ultrarresistente. Os profissionais
que lá trabalham comentaram que o que ganham com as vendas nos produtos
conseguem manter o local que abriga os alunos, a Cooperativa.


A segunda Cooperativa visitada
pelo grupo B foi a Cre.A, na Escola Especial Nº 2054 “Alas para la vida”. Os
alunos, também portadores de necessidades especiais, fazem botons, chaveiros,
serigrafia em camisetas... Os alunos também fazem o seu próprio lanche:
alfajores, biscoitos, doces, compotas... No intervalo eles estavam brincando
com um notebook que ganharam do governo argentino. Cada aluno tem o seu, usado
para brincadeiras e atividades escolares. Em cada sala tem um Accses Point. As
professoras relatam que preparam as crianças para terem um trabalho no futuro,
um emprego. Nesta instituição são atendidos jovens de 14 a 22 anos. “Todos
somos uma escola especial”. O prédio da instituição foi doado pelo italiano
Bruno “Mascata”, que mandava verbas para a construção e esteve presente em
alguns momentos na Instituição, como na inauguração.


Alunos
e professores da Escola / Cooperativa

Produtos

Marcenaria,
bem organizada
A terceira Cooperativa escolar
que visitamos foi a “Experiencia Joven”, na ICES, Nível Secundário. Trata-se de
uma escola privada, pertencente à Sancor Seguros. Os alunos têm aulas na
modalidade de Economia e Gestão Organizacional (se bem entendi). Na Cooperativa
fazem desenhos gráficos: ímãs de geladeira, agenda, calendários, jogos
americanos... Também fazem projetos solidários, teatro de fantoches, para
crianças carentes. A Cooperativa conta com 130 alunos, igual ao número de
alunos da instituição, contando, ainda, com o Conselho de Assessores, composto
pelos professores. No 3º ano desta instituição o trabalho final dos alunos é
desenhar a agenda a ser usada no ano seguinte. As vendas dos produtos ocorrem
internamente e nos encontros das Cooperativas. A cada ano inovam, usando uma
nova técnica. Fazem os trabalhos da Cooperativa nos horários livres, nunca em
horário de aula. Os alunos, associados, trabalham sozinhos, sem auxílio dos
pais nem dos professores. 1% dos alunos depois que saem da escola, da
Cooperativa, continuam no ramo.

Alunos
recebendo os mimos.

Produtos
da Coopertaiva
À tarde fomos visitar a
Cooperativa de Água Potável, Cooperativa de Provisión Del Agua Potable y Otros
Serviços Públicos Sunchales, que conta com nove mil associados, atendendo à
população de Sunchales, 23 mil pessoas. Todos os habitantes têm água potável.
Cada novo morador de Sunchales é um novo associado da Cooperativa. Trata-se de
um serviço não rentável. Também vendem água potável engarrafada. Toda água é
capturada do subsolo, por isso é salobra. Há perfurações de 140 metros de
profundidade. Esta Cooperativa foi fundada em 1957, e trabalha atendendo os
moradores de Sunchales desde 1985. Todos cuidam da água, para não
desperdiçá-la, pois quanto mais gastam, mais pagam, como é aqui. Cada 12m³ de
água são 150 pesos, sendo 27% pago em impostos. Além de distribuição de água
potável para a população, a Cooperativa também faz serviços de consertos das
tubulações de gás.

Porta
de entrada da Cooperativa

Presidentes
da Cooperativa de Água Potável

Maquete
da perfuração de onde extraem a água.
A 5ª cooperativa visitada foi a
Cooper-Ar, na Escola Nº 445 - Carlos Steigleder. Nesta, a Cooperativa existe há
22 anos, e o Cooperativismo é um tema transversal. Trabalham com Produção,
Consumo e Serviços. Produzem sabonetes, como Consumo, trabalham na cantina,
vendendo lanches aos alunos, e como Serviços, vendem os produtos que fazem. Não
podem vender no comércio porque para isso precisam de nota fiscal, e as
Cooperativas não têm registro. Os alunos do 3º ano são encarregados pela
limpeza da escola no final do ano, para ficar boa para o ano seguinte. Os
associados também visitam outras escolas, como aquelas frequentadas por alunos
com Necessidades Educativas Especiais, para ajudá-los. Participam dos encontros
de Cooperativas, Maratona por um Mundo Melhor. Com o lucro, “ganancia”, ajudam
a escola. Há mais de 100 associados, e a escola conta com 700 alunos.

Nossa
recepção (fiquei emocionada ao ler)



Imagens
da escola

Produtos
da Cooperativa

Alunos
fazendo sabonete líquido
Na noite do dia 29 de julho
tivemos palestra com Raul e Carlos, na Casa Cooperativa. Nesta nos explicaram
que a cidade de Sunchales tinha, em 1914, 2400 habitantes; em 1938, 3600; em
1967, 10000; em 2005, 20000; em 2009, 22000, e no último senso, em 2012, 26000
habitantes. Em 1898 foi fundada a primeira Cooperativa Argentina. Em 1918, a 1ª
Cooperativa de Leite “Piá”. Em 1938, SanCor, com 16 Cooperativas leiteiras. Em
1945 foi fundada a SanCor Seguros. E em 1957, fundada a Cooperativa de Água.


Juan B.V. Mitri, italiano, foi o
primeiro cooperativista da Argentina. É ofertada, pela Câmara de Vereadores
local, anualmente, a medalha Mitri para os alunos que se destacam.
As Cooperativas seguem o modelo
mutualista, vindo da Itália e da Alemanha.
Nesta ocasião os alunos foram
questionados sobre os sete princípios das Cooperativas, sendo destacado o sexto
princípio, que é a cooperação entre as Cooperativas, exatamente o que estamos
fazendo agora: buscando informações e exemplos de outras Cooperativas para
levar à Cooperativa de origem.
Há uma discussão acerca da
inauguração do monumento de Nova Petrópolis, no Rio Grande do Sul, Brasil, e do
monumento de Sunchales, Santa Fé, na Argentina, o que as tornam cidades irmãs.
O monumento de Nova Petrópolis foi inaugurado no dia 28 de dezembro de 2002,
quando se comemorava os 100 anos do Sicredi. O monumento de Sunchales foi
inaugurado um dia antes, 27 de dezembro de 2002, quando a cidade foi visitada
pelos Doutores Ivano Barbieri e Carlos C. Palatino, ambos italianos. Isso não
deixa margem à dúvida de qual dos monumentos foi inaugurado antes.
Foi falado, também, durante a
palestra, que Sunchales recebe muitas visitas internacionais, principalmente de
italianos, que há reciprocidade. Deram-nos mais informações acerca das siglas e
das universidades italianas que trabalham com o sistema de cooperativas.
Na quarta-feira do dia 30 de
julho de 2014, pela manhã, fomos visitar o Colégio Nº 8107 – San José, onde há
a Cooperativa Sunchalita. Esta foi fundada em 2006. Desde 2008 está cadastrada
na Federação de Cooperativas de Sunchales. Nesta escola estudam alunos da
Educação Infantil ao Nível Superior. Esta Cooperativa surgiu devido à
necessidade de ser adotado um uniforme para os alunos. A Escola conta com 415
alunos, sendo 400 associados. Os alunos, sócios da Cooperativa, vendem lanche,
estão pintando a escola, fazendo arte nas paredes, vendem o uniforme escolar, e
quem é sócio ganha desconto. Também criam a agenda anual, fazem brechó com os
livros usados, têm diário Mural, Orientação Vocacional, ajudam crianças com
menos recursos, em campanhas solidárias.

Banner
com os princípios da Cooperativa


Apresentação
À tarde fomos visitar a
Cooperativa de leite SanCor, que existe há 76 anos. San Cor é a junção dos
nomes das províncias Santa Fé e Cordoba. Esta Cooperativa fabrica mais de 150
produtos, em diferentes lugares, entre eles o leite em pó, o doce de leite,
delicioso, o requeijão, sem igual no Brasil... No Rio Grande do Sul não temos
os produtos deles, mas nos disseram que o Paraná, estado próximo daqui, já está
exportando. O primeiro produto fabricado pela Cooperativa foi a manteiga. Hoje
conta com mais de 4 mil empregado, distribuídos nos 40 hectares da Cooperativa.
Antigamente as máquinas eram movidas à lenha, carvão, por isso no prédio antigo
(o único que nos deixaram fotografar) há uma chaminé bem alta, para não
contaminar os alimentos. Atualmente a caldeira é a vapor.

Prédio
antigo
A cooperativa SanCor processa 1
milhão de litros de leite por dia, transformando-o em leite em pó. A primeira
caldeira tinha capacidade para apenas 300 mil litros. A parte da Cooperativa
que fabrica leite em pó conta com 7 funcionários, pois é tudo automatizado,
informatizado. A empresa funciona sempre, sem folga, processando até 2 milhões
de litros de leite por dia. Possui gerador próprio de energia. A parte do leite
em pó funciona independente do restante da Cooperativa. Cada setor tem sua
própria equipe de limpeza, que é bem caprichada, pois para exportar alimentos a
Cooperativa passa por inspeções internacionais.
Um milhão de litros de leite é
necessário para fabricar 100 mil quilos de leite em pó. Um quilo de leite em pó
é igual a 4 litros de leite. Isso também consome 2 milhões de litros de água
por dia. Todos os dias a Cooperativa manda 12 containers para o exterior. Para
o Brasil, exportam sacos de 25 quilos de leite em pó. Essas foram as
informações que nos passaram durante o nos tour pela Cooperativa. Disseram,
ainda que há 1400 produtores de leite, que fornecem a matéria prima para a
Cooperativa. Depois de recebido, o leite é bombeado para os diversos setores.
Nunca param de receber leite.

Entrada
da Cooperativa de Leite
Na saída desta cooperativa, cada
visitante (nós) recebeu uma sacolinha com doce de leite, queijo ralado, queijo
processado e leite em pó.
Na tarde do dia 30 de julho fomos
visitar a escola Nº 279 – Tte. B. Matienzo, onde funciona a cooperativa escolar
C.E.P.A. Esta escola, pelo que entendi, é como o Liberato daqui, uma escola
técnica onde os alunos têm aulas de mecânica, eletrônica e química. Nesta
Cooperativa os sócios produzem artigos artesanais. Fazem pomada para queimaduras
(com maisena, vaselina e óxido de zinco), aromatizantes para roupas e
ambientes. Usam, para isso, uma casa próxima, pois não há espaço na própria
escola, para venda de produtos. Reutilizam garrafas pet para acondicionar os produtos.
Também fazem programas para crianças com necessidades, que vivem no norte da
Argentina.

Valores
da Cooperativa

Produtos
à venda da Cooperativa

Confecção de chaveiro em madeira.
Cada um de nós ganhou um com a letra inicial do nome.
Na marcenaria o professor dá a
tarefa e s alunos investigam como devem fazer o que foi pedido, para então
fabricá-lo. Eles trazem a ideia, o material, fazem e levam consigo. Se não têm
o material, a escola dá, mas o produto final fica na cooperativa, para ser vendido.
Os alunos já saem com um ofício, independentes.

Marcenaria
Na eletromecânica aprendem
instalações elétricas, para que as façam em sua casa. Os alunos do 3º ano devem
apresentar um projeto ao final do curso.

Eletrônica
Na tarde do dia 30 de julho fomos
visitar a Sancor Seguros, fundada em 1945. É uma empresa, ou Cooperativa,
autossustentável. Coletam água da chuva para refrescar o ambiente, possuem
cortinas que refletem a luz, aquecedor solar para água. Os assegurados são os
sócios da Cooperativa. Os funcionários têm 30 minutos por dia, dentro da
própria Sancor, para almoçar.




Imagens na Sancor
Seguros
Depois de um tour pela Sancor
Seguros, que tem um lindo prédio, jardim... Fomos até o Parque Temáticos de
Segurança no Trânsito. É um local onde dão cursos de educação no trânsito para
crianças e famílias. Possuem uma mini-cidade com vias e sinalizações para
simulações de trânsito, com bicicleta. Apesar de estarmos bem cansados, nos
divertimos muito neste local. Ganhamos uma caneta, um botton e um boné.

Na quinta-feira, dia 31 de julho,
voltamos à Casa Cooperativa de Provisión Sunchales Ltda. Anotei muitas
informações, ditas por Javier, mas não sei como organizá-las. Lá funciona a
escola de nível médio, já relatada anteriormente, que atende o nível médio,
desde 1993, do 1º ao 5º ano, com jovens de 13 a 15 anos de idade. Há promoção
do Cooperativismo Escolar.
Em Sunchales há 17 cooperativas
Escolares, de nível primário, secundário, especial e rural.
Na cidade há 70 Cooperativas,
projeto destacado Nacional e Internacionalmente.
Em março de 2009 iniciou o
programa. Os Conselheiros da Casa Cooperativa visitam as Cooperativas
escolares. Fazem intercâmbios com o Brasil, Paraná e Rio Grande do Sul;
Espanha, Andaluzia; Itália, Região Romagna. Uma Cooperativa precisa funcionar
como equipe, profissional... precisa ter estrutura para cumprir os objetivos de
trabalho, que é um grande desafio. Fazem pesquisa, investigação. A FECOP
trabalha principalmente temas ambientais.
O prefeito de Sunchales, para
finalizar o nosso estudo, tomou a palavra e foi muito feliz em sua fala. Mesmo
em espanhol, conseguimos compreender muita coisa. Ele falou sobre a história da
pedra: que uma pessoa não conseguiria levantar uma pedra sozinha, mas em
equipe, sim. Os problemas se resolvem em conjunto. Vivemos juntos. Quando
compreendemos o valor de trabalhar juntos, percebemos que cooperar é o modo
mais fácil de conseguir melhor qualidade de vida. O Mercosul e outros países
podem ajudar a resolver problemas. Sozinhos não chegamos a nenhum lugar.
70% do PIB de Sunchales é pelo
Cooperativismo, proporcionando, assim, qualidade de vida para todos. Em empresas
privadas a qualidade de vida é para uma pessoa, enquanto na Cooperativa todos
saem beneficiados. Em uma crise, numa empresa cooperativa, é difícil ter
demissão, diferentemente de uma empresa privada. Cooperativismo se aprende
fazendo.
3% dos impostos da Sancor vai
para Cooperativas escolares, cerca de 3 mil pesos por ano.
Em seguida, os Conselheiros da
Fecope – Federação das Cooperativas escolares, fizeram a apresentação de cada
uma das 17 Cooperativas Escolares, cuja fotografia do slide está abaixo.
Na Cooperativa da escola Rural,
que não fomos visitar (apenas o grupo A), vendem materiais escolares, pois as
livrarias ficam muito longe, e fazem produtos com lavanda. O principal objetivo
desta é fazer campanhas a favor da comunidade. Achei essa ideia muito
pertinente para levar à escola Padre Reus. Devem ser muito parecidas.



























Lá também tem
lavanda!

E Praça Nova
Petrópolis
Nenhum comentário:
Postar um comentário