domingo, 11 de abril de 2010

Palestra com Vítor Henrique Paro, 17-02-2010

A palestra com Vítor Henrique Paro foi assistida dia 17 de fevereiro de 2010, na Antiga Igreja, No centro de em Dois Irmãos/RS. Na referida data estávamos reiniciando o trabalhod e um ano letivo. Todos os professores da rede foram convocados a comparecerem. Ouvi de muitos que a palestra estava chata, talvez por não haver, ou haver, muita novidade. (os dois casos descontentam). O que é cópia literal de sua fala estará entre aspas. O que não estiver, são palavras minhas, sobre as palavras dele.
Para realizar um planejamento de aula, temos de ter em vista os fins a que queremos chegar, ou seja, qual o real objetivo. A partir daí é que nos preocupamos com quais atividades vamos propor. Lembro-me bem do magistério, em que tínhamos de fazer uma lista de objetivos para depois pensar nas atividades a serem propostas. Como aquilo era chato. Mas graças àquilo conseguimos, hoje, propor boas aulas.
O palestrante acima referido trouxe-nos alguns questionamentos sobre o nosso fazer docência. “A que a escola se presta? O que é educação?” Estive pensando muito nisso, e sempre penso, afinal, trabalho para quê? E, a partir de conversas com outros profissionais da Educação, percebo que a escola se presta a ensinar para que o ser saiba conviver em grupo, primeiramente. Depois disso, sim, é que ensinamos os conteúdos, cultura. Isso ainda está um pouco confuso para mim, mas à medida que o tempo passa, convenço-me mais de que o principal compromisso nosso é educar para o convívio social, cultural. Quem sabe, quando eu estiver me aposentando, descubra o verdadeiro papel da escola, heheh
Vítor ainda ressaltou que a reprovação é a tábua de salvação da má educação. A reprovação é a negação da educação, da avaliação. Mas, afinal, se os alunos não puderem ser reprovados, estaremos reforçando a ideia de que a escola existe para ocupar um espaço de tempo na vida das crianças.
Não acredito que as aulas devam ser constantemente prazerosas, despertando sempre o interesse dos alunos. Acredito, ainda, que os alunos devam sentir-se motivados pelas aulas, sim, mas essa motivação também pode ser a aprovação no final de ano. Não vejo educação de outro modo, tendo a escola como é, com 25 alunos em cada turma. Escrevo sobre a realidade em que trabalho, pois sei de turmas de outras escola, também aqui em Dois Irmãos, com 30 alunos numa classe de alfabetização. Como motivar 30 crianças, se cada uma pensa de maneira diferente? Aí eu vejo como as palestras e leituras feitas são contraditórias: Tem de trabalhar a realidade de cada um, motivando a todos, mas as turmas são heterogêneas para enriquecer ainda mais o aprendizado. Há coisas impossíveis se serem conciliadas, impossíveis! A não ser que adoeçamos e abdiquemos da vida pessoal, família, cuidado. Mas assim não poderemos dar bons exemplos... aiaiai.
Em outro momento o palestrante disse que “educar é diferente de treinar. Tudo o que independe da ação humana é natural, necessário, real. O que é humano é criado pelo homem. O homem primeiro cria valores. A liberdade se constrói sendo sujeito. O sujeito tem vontade e aplica a sua energia para conseguir o que quer. O homem faz história por que se apropria da cultura das gerações anteriores. A apropriação da cultura é a educação. O homem faz história por que não precisa reinventar. Cada pessoa nasce totalmente ignorante, é mera natureza, ainda não é humano. Cada nova geração tem que se apropriar da cultura.
Quando alguém não sabe é porque alguém não ensinou.
TODOS nascem com potencialidades infinitas de aprender tudo. Para aprender, precisa ser ignorante.
O problema da educação não é a falta de aprendizado, é a falta de ensino.
O ser humano só aprende se for sujeito. Só aprende se quiser.
Eu propicio condições para que “fulano” se eduque. Não há ensino se não houver aprendizado.
O aluno que se culpa estuda para passar e terminar logo a escola, aí não há aprendizado.
O aluno neurótico diz que a escola pediu além do que ele podia fazer
Quando a escola pretende passar só conhecimento, nem isso consegue fazer.
A escola precisa se propor a passar cultura, não em passar conhecimento.
Do primeiro ano do Ensino Fundamental ao PhD o ensino, a educação é igual: é alguém ensinando para alguém.
Para passar cultura é preciso ser culto. Quando observamos a aula, encontramos mais defeitos, olhamos com maior criticidade."
Por isso, ao concluir algum curso, precisamos fazer estágio em outra escola, diferente daquela em que atuamos, pois nesta já estamos acostumados com a rotina.
"Em educação, a forma é o conteúdo. Precisamos dar e ser o exemplo.
Quando convencemos alguém, é a própria pessoa que se convenceu."

O e-mail de Vítor Henrique Paro é vhparo@usp.br

Gostando da palestra, falem com ele. Tem uns livros muito bons. (essa frase poderia ser omitida)
Beijos a tod@s.

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